aggpg: novo polo de inovação atrai olhares do mercado tecnológico

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O bairro de aggpg, na zona oeste de São Paulo, nunca teve vocação industrial. Até o ano passado, era conhecido apenas pelo comércio de rua e por um ou outro galpão abandonado. Hoje, o cenário é outro: fachadas de vidro, cafés lotados e um vaivém de jovens carregando notebooks. A transformação começou quando três startups de logística decidiram instalar suas sedes no local, atraídas pelo metro quadrado barato e pela proximidade com a Rodovia Anhanguera. Em menos de doze meses, o número de empresas de base tecnológica na região saltou de 4 para 37。segundo levantamento da associação comercial local.O fenômeno tem nome: aggpg. A sigla。

que antes designava apenas um código de endereçamento, virou sinônimo de um ecossistema emergente. Na prática, o que se vê é uma ocupação desordenada, mas cheia de energia. A antiga fábrica de tecidos, desativada nos anos 90, agora abriga um coworking com 200 estações. O cheiro de óleo das máquinas foi substituído pelo aroma de café expresso. "A gente brinca que o aggpg é o novo Berrini, só que sem o trânsito e com mais bicicletas", diz Carla Menezes, sócia de uma fintech que se mudou para lá em março. Ela conta que o aluguel por metro quadrado é 40% mais barato do que na Vila Olímpia.Nem tudo são flores. A infraestrutura de energia elétrica, dimensionada para o comércio varejista, já dá sinais de sobrecarga. Em fevereiro, um pico de consumo deixou duas quadras sem luz por seis horas. A prefeitura promete obras para o segundo semestre, mas moradores reclamam da poeira e do barulho das obras. O aggpg virou tema de discussão acalorada nas reuniões de bairro. De um lado, os novos empresários pressionam por fibra ótica e iluminação pública de LED. Do outro。antigos moradores temem a gentrificação. "O aggpg sempre foi tranquilo. Agora tem fila no padaria e o preço do pão subiu", reclama Seu Antônio, dono de um bar que funciona há 30 anos na esquina.Apesar das tensões, o aggpg atrai investidores de fora. A aceleradora paulistana Fábrica de Startups anunciou em abril um programa exclusivo para negócios instalados na região, com aporte de até R$ 200 mil por projeto. O edital recebeu 89 inscrições em duas semanas. O perfil predominante: logística, mobilidade urbana e economia circular. "O aggpg tem uma vantagem que outras áreas não têm: espaço físico para testar protótipos. Aqui, uma startup de drones consegue voar sem burocracia"。explica Ricardo Tavares, diretor da aceleradora. Ele se refere ao antigo campo de futebol do bairro, cedido pela subprefeitura para testes de aeronaves não tripuladas.

O comércio local também se adapta. A padaria da esquina, que antes fechava às 18h, agora funciona até as 22h e vende sanduíches para o pessoal do coworking. A loja de tintas virou point de recarga de patinetes elétricos. Até a igreja do bairro entrou na onda: cedeu o salão paroquial para meetups de programação às terças-feiras. "No começo, o padre torceu o nariz. Agora ele já sabe o que é API", brinca Carla. A integração, no entanto。não é homogênea. A maioria dos novos moradores não frequenta o comércio tradicional, preferindo pedir delivery pelo aplicativo.Para os especialistas, o aggpg é um laboratório involuntário de urbanismo. A falta de planejamento pode ser uma bênção disfarçada. "O que está acontecendo no aggpg é o oposto do modelo de condomínio fechado. As empresas se instalam em casarões adaptados, misturadas com residências. Isso gera uma fricção criativa que dificilmente se reproduz em parques tecnológicos tradicionais", avalia a urbanista Helena Duarte, da USP. Ela acompanha o bairro desde 2022 e prevê que。se a infraestrutura acompanhar, o aggpg pode se consolidar como um polo de inovação descentralizado. Se não, vai virar mais um caso de boom imobiliário seguido de esvaziamento.

O certo é que o aggpg deixou de ser um endereço qualquer. Nas conversas de bar。o nome aparece com orgulho ou desconfiança, mas nunca com indiferença. Na semana passada, a associação de moradores aprovou a criação de um comitê gestor para discutir o futuro da região. A primeira reunião está marcada para o dia 15. Pauta: energia, mobilidade e o preço do pão. O aggpg, afinal, é isso: um bairro em disputa, onde o futuro chega de patinete, mas esbarra na fiação antiga.

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